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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

NAVE AZUL

Raimunda



O mundo gira independente de mim.

A Terra redondeia duplamente e ignora-me.

Eu estática no meu conhecer.

Eu pequena no meu não-saber, encolhida...

ELA passeia ao redor do Sol: esquenta-se, esfria-se.

Cumpre um terrestre ritual: azula-se, prateia-se, doura-se, acinzenta-se...

Esnoba figurinos. Sua órbita é sua bússola.

Nave esférica: menina, moça, mulher.

Carrega em seus passeios o nosso viver; o meu não-viver.

Arrasta no seu magnetismo nossos sonhos, nossas dores...

Enquanto penso, enquanto durmo,

Ela vagueia, indiferente: tufões, furacões, terremotos...

Nada impede seus passeios.

Ela é bem mais ela.

Embalada em seus siderais, dança música hibernal.

Primavera em seus dias, suas tardes, suas noites. Só ela: nave redonda, azul, verde, colorida...íris.

Reduto de muitas vidas,

Mãe de muitas mortes...natural.

Ela vive: vida diferente.

Queria ter vida igual



Maio/2003