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terça-feira, 31 de março de 2009

Nostalgia


Nostalgia

Não é muito comum se sentir saudades do que nunca se possuiu. Mas é provável que de vez em quando algo estranho mexa com suas emoções, seus sentimentos.
Você acorda meio esquisito com a sensação de que alguma coisa vai lhe acontecer. Volta e meia o relógio é consultado. Nada. Você fica meio perplexo. O que teria acontecido? Você sente que alguma coisa está lhe faltando. Senta-se em algum lugar (...), olhos distantes, coração apertado... Se não disfarçar é capaz de uma lágrima teimosa lhe pegar de surpresa. Mas até que seria bom chorar um pouco. Quem sabe o peso nos olhos poderia diminuir?
Num relance você lembra de alguém, de uma paisagem, uma situação. Mas onde viu tudo isso? Onde?
As perguntas não diminuem o desejo de resolver a insatisfação.
Que bom se pudesse sair já desse estado “down”... Poder andar nas paisagens dos seus sonhos, morar ou passear (também com o personagem) em cabanas, praias, vales e toda uma construção onírica!
Saudade de sonhos? Por que não?
Sacuda a cabeça, balance o corpo como se estivesse se desvencilhando de um pesadelo...
Não, não é pesadelo. É nostalgia. É a suavidade de uma ausência frustrada pela inconstância do querer ser.
É saudade. Só saudade...

Raimunda
29.06.1995

segunda-feira, 30 de março de 2009

Harmonia


Buganvília meio idosa, galhos finos... alguns quase que totalmente sem folhas e flores; outros recobertos completamente! Flores, flores, folhas...
Num desses desnudos galhos, pousa um passarinho. O galho balança, balança, balança: é uma corda bamba de circo. O equilibrista mostra a maior classe: não se afeta, não se perturba. O seu equilíbrio não é só com o galho, é também com a natureza... Parece mais parte da planta do que um ser independente. Abre uma das asas, cutuca com o bico não sei o quê, belisca o pé, sacode-se, acomoda-se, imobiliza-se.
No momento em que controla sua submissa corda, voa novamente a um outro galho com tanta destreza que um artista laureado sentiria inveja.
A planta não parece incomodar-se, ao contrário, mostra-se dengosa, faceira. Facilita os movimentos coordenados dos seus galhos com seu parceiro de brincadeiras.
A harmonia vence... E tudo recomeça.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Vinte Minutos

Esperar a vida inteira é preciso;
Esperar vinte minutos, é desperdício;
Esperar filhos crescerem, é divinal.
Esperar um novo amor, nada mau.

Esperamos o dia raiar,
Esperamos a noite chegar,
Esperamos pelo Natal
Estando só ou com alguém.

Em tudo e por tudo,
Há a condição de esperar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Fim de Linha

A linha da vida não é comum.
Ela é invisível, implacável.
O seu riscado só é perceptível
Quando seu usuário,
Num ato incrível,
Faz uso de tinta especial!
Então a linha pode tornar-se reta, curva, aberta,
Inclinada, numa corda bamba,
Desafiando o traçado original.
Uso de borracha? (...) Impossível!
Essa linha não admite remendos, consertos;
Concertos, quando em suas margens
Outras tantas são traçadas
Harmonicamente à geometria divinal!!
Réguas que obedecem a um inequívoco ditame,
Compasso perfeito em sua função de liame
Determinarão seus complementos:
Hidrocor, lápis de cor, esferográfica?
Superfície imprevisível e idômita,
Qual serpente sinuosa,
Traiçoeira e mortal
Sai do ponto de partida,
Chegando ao ponto final.
M. Raimunda
23/10/2007.
(Manhã chuvosa)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Etérea Viagem
Maria Raimunda

Quando eu morrer,
Tenham pena de mim:
Cubram meu rosto
E me deixem ...assim...

Quero ficar em paz
Sem ninguém me observando,
Em sufoco de lágrimas,
Me questionando.

Não quero ser medido,
Nem analisado.
Basta em tempo de vida
À exposição desmedida.
Não poder fugir.

Fechem bem os meus olhos,
Cruzem minhas inertes mãos.
Que tal me deixar limpinho?
Se quiser, chorem baixinho e
“Deixem em paz meu coração”!

Pois vou viajar,
Cruzar a amplidão,
Despido de bens,
Vazio de tudo.
Em busca do além.

Vou dar uma volta na Lua,
Brincar nos anéis e Saturno,
Me encontrar com as Três Marias,
Me perder na Via-Láctea...

Depois de noites e dias,
Medidos em ano-luz,
Quando o tédio ameaçar,
Volto ao Cruzeiro do Sul.
Abro meus braços gigantes,
Busco apoio aconchegante
Em suas estrelas azuis.
Estico-me todo... emoção,
Confundo-me com o infinito
À Terra envio meu grito
E viro constelação.

Cubram logo meu corpo
Com as flores que eu ganhei.
Agora não tem mais volta,
Deixem de lado a emoção,
Quero o meu passaporte
Para o Sul e para o Norte
Nas asas da imaginação.

FAZAG, 02 de março de 2009.

INÍCIO DE TARDE

Meio-dia, vontade louca de espairecer!
Desejo incontrolável de viver!
De buscar na turbulência
Insana do corre-corre diário,
a minha essência de ser!