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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sombras de Natal





 
Era Natal! Ding, dong, ding, dong!!!
Muita risada... Alegria por nada?!
Fui investigar...Pereba também.
Pé atrás, ouvido na frente.
Até agora, ninguém!
Não sei por que Pereba latiu.
Parei. Parei parado!
Um vulto gordo passou,
Por trás de uma casa sumiu.
Pensei em tudo e em nada.
Menino na minha idade
Cheio de curiosidade
E sem nenhuma precaução
Resolve fazer e faz.
Pereba o fez  primeiro.
Entrando logo em ação.
E como se me chamasse
Para uma grande aventura
Parou, olhou para mim
Convite feito e aceito,
Duas vezes não pensei.
“Pernas pra que te quero?”
Lógico, não responderam.

* * * * * * * * * * * * * * * * *
Tinham donos, agora, as risadas.
Estavam lá estampadas
Em rostos de todas as idades.
Crianças grandes e pequenas
Cheias de felicidade!
Sorriam, sorriam muito.
Corriam envoltas em luzes,
Em doces notas musicais.
Todos muito protegidos
Por seus generosos pais

De repente, ... Ho! Ho! Ho!
Era a senha triunfal
Para a entrada do velhinho
Por uma porta lateral,
Trazendo consigo a magia
Dos presentes de Natal.

Era um ser vermelho e branco,
Gordo como na sombra,
Carregando um saco disforme
E ia se aproximando.
Tinha uma barba enorme

Toda feita de nuvem,
Misturada com algodão,
Presa a um rosto redondo
Transbordando de emoção.
.
As crianças o cercaram,
Na maior animação.
Olhavam mais para o saco
Que para o vermelho ancião

Presentes distribuídos...
Mudou toda a atenção
Daqueles seres reunidos
Naquele amplo salão.
Ficaram tão ocupados
Com os presentes recebidos
Que nem sequer perceberam
Que algo na sala mudou:
O bom velhinho cansado
Sem mais assédio e atenção
Tratou logo de sair
Pelo lugar que entrou.

Senti meus olhos nublarem
Senti até uma tontura
Senti uma dor no peito...
Senti que daquela alegria,
Não tinha nenhum direito.

“Desponguei” daquela janela
Com o corpo bem pesado,
Com o coração magoado
Com a alma d o l o r i d a!!
Como se estivesse ferida.

Pisei no rabo de Pereba
Que logo acordou da dormência,
Deu um grito fino, um latido.
Eu, meio sem paciência,
Ralhei com ele, coitado!

Levantamos os dois, como irmãos,
Pois amigos, mais ninguém.
Talvez, lá em Belém,
Lá longe, no outro mundo,
Alguém se interesse por mim,
Alguém que também foi assim,
Criança, menino, guri...
Ding, dong! Ding, dong! Ding...

Raimunda
Guaibim, 06.01.09.

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