El Tiempo es el señor del pasado,
Este es el rey
Y el futuro le pertenece a él,
Es la, ley.
(Ley de la época,¡ indiscutible!)
¿Qué le queda a los sujetos, entonces?
Lo que hasta todos los que obedecen.
La obediência que se moldea a cada uno,
Para cada uno, diferente de sí mismo:
En total, igual.
Inflexible el tiempo para vivir,
Inflexible el tempo de morir.
Flexibilidad para la creación:
Piernas, brazos, cérebros rápidos.
Llame a tiempo de cambiar,
Disminución de los espac ios,
Racionalizar las relaciones.
Realza, combina nas regiones...
Teje una rede (virtual)
Y se declara la Tierra
Una aldea global.
Buenos Aires, enero, 2012.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
BUENOS AIRES
Cidade linda! Arquitetura deslumbrante! Clima maravilhoso, mesmo no verao. Teatros, passeios incríveis.
O tango e toda sensualidades das belas mulheres. Uma tristeza invisível paira por sobre mi Buenos Aires querido.
O tango e toda sensualidades das belas mulheres. Uma tristeza invisível paira por sobre mi Buenos Aires querido.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Cordel: linguagem dos anjos nordestinos
Os cordelistas do Nordeste precisam de maior divulgação em todo o território brasileiro. Suas obras precisam ser lidas, admiradas e entendidas como arte (o que realmente são).
Parabéns a Rozilene Reis pelo bonito trabalho de pesquisa nessa área.
Parabéns a Rozilene Reis pelo bonito trabalho de pesquisa nessa área.
domingo, 7 de agosto de 2011
SIMPLES ANDAR
Quando caminhas,
Em qualquer direção;
Quando passeias,
Sozinha ou não,
Nem sempre te vejo
Como queria,
Nem sempre te sinto
Em tua alegria...
Mas não posso negar
Que junto aos teus passos,
No teu toc-toc,
Há como um abraço
No teu caminhar!
Porque há cadência,
Como em passista
Em evento solene
(Firme e egoísta),
Escondendo sua alma
Num belo calçado
Que foi desenhado
Pra te fazer brilhar.
Anda devagar
Para que eu possa te ouvir.
Se for noite na rua,
Será mais fácil dormir,
Porém se for tarde
Acelere as passadas
Vem ao meu encontro
Não precisa mais nada.
Só ande assim...
Cheia de elegância.
Encha meus ouvidos
De uma doce esperança
De que os passos aos poucos,
Já bem decididos,
Deixem logo de ser
Uma doce lembrança!
Valença, 24 de março de 2009.
Maria Raimunda Almeida Silva
Em qualquer direção;
Quando passeias,
Sozinha ou não,
Nem sempre te vejo
Como queria,
Nem sempre te sinto
Em tua alegria...
Mas não posso negar
Que junto aos teus passos,
No teu toc-toc,
Há como um abraço
No teu caminhar!
Porque há cadência,
Como em passista
Em evento solene
(Firme e egoísta),
Escondendo sua alma
Num belo calçado
Que foi desenhado
Pra te fazer brilhar.
Anda devagar
Para que eu possa te ouvir.
Se for noite na rua,
Será mais fácil dormir,
Porém se for tarde
Acelere as passadas
Vem ao meu encontro
Não precisa mais nada.
Só ande assim...
Cheia de elegância.
Encha meus ouvidos
De uma doce esperança
De que os passos aos poucos,
Já bem decididos,
Deixem logo de ser
Uma doce lembrança!
Valença, 24 de março de 2009.
Maria Raimunda Almeida Silva
quarta-feira, 1 de junho de 2011
PERGUNTAS... PERGUNTAS...
O que justifica a presença dos humanos em meio a tão fantástico UNIVERSO ?
O que somos realmente?
Por que alguns humanos são “premiados” enquanto outros são sumariamente “castigados”? (O que leva ao prêmio? O que leva ao castigo?).
Por que estamos invariavelmente ligados aos efeitos dos astros que são mais próximos de nós?
Por que somos tão ignorantes quanto à força poderosa que controla o UNIVERSO?
O que faz a Terra, satélites, meteoros, cometas terem o seu caminho próprio, independente um do outro?
Por que tenho que me considerar centro do Universo se vivo num planetinha insignificante, doente, condenado?
Por que achar que o meu Sol é o máximo quando sei que ele é apenas uma estrela de 5ª grandeza?
Por que existe o ciclo vital?
Por que existe uma cadeia alimentar?
Por que ninguém pega carona num rabo de um cometa qualquer e sai por aí visitando o infinito?
Até onde vai o NOSSO INFINITO?
Será que me chamo MORTE?
16.02.1993
quarta-feira, 23 de março de 2011
TRISTEZA
Às vezes, uma tristeza cega bate à nossa porta.
Como? Não sei.
Por quê? Ignoro.
Ela dá “ó de casa!”. Ninguém responde.
Ela insiste, batendo palmas,
Ninguém ouve.
Mas a tristeza não desiste, quer entrar...
Dessa vez ela toca um sininho...
Ele quer ser ouvida,
Mais que isso: recebida.
Tristeza?!
Em nossa vida?!
Não... não... não...
Volte outro dia, dona tristeza!
Pois hoje,
Só queremos alegria.
Valença, 31/08/ 2009.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Além das baratas
A pós-modernidade não cabe em meus desenhos...
Um quilo de baratas cabe.
Barata pós-inseticida,
O inseto e a vida entrelaçados,
Dando vida ao que não existia,
No submundo do sobrado
Sobra do APOCALIPSE!
Amém!
“Baratém”!
Além!
Raimunda
18/03/2009
Um quilo de baratas cabe.
Barata pós-inseticida,
O inseto e a vida entrelaçados,
Dando vida ao que não existia,
No submundo do sobrado
Sobra do APOCALIPSE!
Amém!
“Baratém”!
Além!
Raimunda
18/03/2009
sábado, 12 de março de 2011
Falta Tudo
Falta amor,
Falta paixão,
Falta querer.
Toda essa falta
Diminui o corpo, aniquila a alma, destrói o espírito.
O corpo nada mais é do que matéria.
Os movimentos são apenas movimentos.
O ser existe dissociado do sentimento.
Tudo fica muito cru, muito frio, muito mecânico.
A música não penetra mais nos ouvidos como um bálsamo.
O vento não toca mais a pele como uma carícia.
Os olhos não enxergam mais a simplicidade de uma gota d’água sobre uma folha, ou o bailar gracioso de um beija-flor.
O sorriso de uma criança é uma afronta para a tez sisuda.
O cumprimento de um amigo é um incômodo para a falta de tempo.
Em que se transformou uma pessoa assim?
Ainda é uma pessoa?
27.05.1995
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Amiga de Proust
Raimunda
Sou amiga de Proust.
Sou sua presença, ausência.
Sinto suas pulsações, seus bocejos, suas angústias quando precisa se separar de mim.
Eu o ouço, o vejo, o sinto.
Estou com ele nos galhos da azinheira, lendo escondido dos colegas.
Estou em seu olhar, na sua voz que não sai.
Estou no seu pensamento, juntando-se ao pensamento do seu autor preferido.
Me delicio com suas fugas, seus detalhes, minúcias.
Sou tão próxima dele que o que era amizade sincera, descompromissada, desinteressada, passou a ser, não sei quando, em que dia, um amor sereno, bonito, como um rio que cumpre seu destino de ser rio. Eu sou seu rio, sua ponte, sua água. Sou suas flores singelas e prediletas.
Sou seu lençol de cambraia bordado de tricô caprichado e bem cuidado.
Sou o carinho demonstrado por ele a objetos existentes em sua vida, seus lugares prediletos para descortinar, encontrar-se, familiarizar-se com seus personagens...
Eu sou cúmplice do seu respeito pelos grandes mestres.
Sou cúmplice do seu jeito de transformar em poesia, um simples sentar-se à mesa.
Sou ele quando está de posse do querer trilhar os atalhos saborosos para descobrir do outro lado da janela a simplicidade do jardineiro, a descrição (imagem viva) de um mosteiro com suas sombras, suas vidas, sua história.
Eu o acompanho com alegria, emoção, ansiedade.
Quero vê-lo voltar-se sempre para mim.
Não sou possessiva, apesar de tudo que disse;
Não sou ciumenta, apesar de querer tê-lo sempre comigo;
Não sou vaidosa, apesar de saber que sou sua melhor companhia.
Sou, em verdade, sua realização como menino, adolescente, homem.
Sei que não substituo sua alma no sentido estrito do termo, mas contribuo para que ele se eleve, se construa, se defina como responsável por seu caráter, seu ser, seu saber.
Saber,
Conhecer,
Viver,
Escolher...
Sou sua leitura.
Maio de 2003.
Sou amiga de Proust.
Sou sua presença, ausência.
Sinto suas pulsações, seus bocejos, suas angústias quando precisa se separar de mim.
Eu o ouço, o vejo, o sinto.
Estou com ele nos galhos da azinheira, lendo escondido dos colegas.
Estou em seu olhar, na sua voz que não sai.
Estou no seu pensamento, juntando-se ao pensamento do seu autor preferido.
Me delicio com suas fugas, seus detalhes, minúcias.
Sou tão próxima dele que o que era amizade sincera, descompromissada, desinteressada, passou a ser, não sei quando, em que dia, um amor sereno, bonito, como um rio que cumpre seu destino de ser rio. Eu sou seu rio, sua ponte, sua água. Sou suas flores singelas e prediletas.
Sou seu lençol de cambraia bordado de tricô caprichado e bem cuidado.
Sou o carinho demonstrado por ele a objetos existentes em sua vida, seus lugares prediletos para descortinar, encontrar-se, familiarizar-se com seus personagens...
Eu sou cúmplice do seu respeito pelos grandes mestres.
Sou cúmplice do seu jeito de transformar em poesia, um simples sentar-se à mesa.
Sou ele quando está de posse do querer trilhar os atalhos saborosos para descobrir do outro lado da janela a simplicidade do jardineiro, a descrição (imagem viva) de um mosteiro com suas sombras, suas vidas, sua história.
Eu o acompanho com alegria, emoção, ansiedade.
Quero vê-lo voltar-se sempre para mim.
Não sou possessiva, apesar de tudo que disse;
Não sou ciumenta, apesar de querer tê-lo sempre comigo;
Não sou vaidosa, apesar de saber que sou sua melhor companhia.
Sou, em verdade, sua realização como menino, adolescente, homem.
Sei que não substituo sua alma no sentido estrito do termo, mas contribuo para que ele se eleve, se construa, se defina como responsável por seu caráter, seu ser, seu saber.
Saber,
Conhecer,
Viver,
Escolher...
Sou sua leitura.
Maio de 2003.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
NAVE AZUL
Raimunda
O mundo gira independente de mim.
A Terra redondeia duplamente e ignora-me.
Eu estática no meu conhecer.
Eu pequena no meu não-saber, encolhida...
ELA passeia ao redor do Sol: esquenta-se, esfria-se.
Cumpre um terrestre ritual: azula-se, prateia-se, doura-se, acinzenta-se...
Esnoba figurinos. Sua órbita é sua bússola.
Nave esférica: menina, moça, mulher.
Carrega em seus passeios o nosso viver; o meu não-viver.
Arrasta no seu magnetismo nossos sonhos, nossas dores...
Enquanto penso, enquanto durmo,
Ela vagueia, indiferente: tufões, furacões, terremotos...
Nada impede seus passeios.
Ela é bem mais ela.
Embalada em seus siderais, dança música hibernal.
Primavera em seus dias, suas tardes, suas noites. Só ela: nave redonda, azul, verde, colorida...íris.
Reduto de muitas vidas,
Mãe de muitas mortes...natural.
Ela vive: vida diferente.
Queria ter vida igual
Maio/2003
O mundo gira independente de mim.
A Terra redondeia duplamente e ignora-me.
Eu estática no meu conhecer.
Eu pequena no meu não-saber, encolhida...
ELA passeia ao redor do Sol: esquenta-se, esfria-se.
Cumpre um terrestre ritual: azula-se, prateia-se, doura-se, acinzenta-se...
Esnoba figurinos. Sua órbita é sua bússola.
Nave esférica: menina, moça, mulher.
Carrega em seus passeios o nosso viver; o meu não-viver.
Arrasta no seu magnetismo nossos sonhos, nossas dores...
Enquanto penso, enquanto durmo,
Ela vagueia, indiferente: tufões, furacões, terremotos...
Nada impede seus passeios.
Ela é bem mais ela.
Embalada em seus siderais, dança música hibernal.
Primavera em seus dias, suas tardes, suas noites. Só ela: nave redonda, azul, verde, colorida...íris.
Reduto de muitas vidas,
Mãe de muitas mortes...natural.
Ela vive: vida diferente.
Queria ter vida igual
Maio/2003
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Morte do Soneto
MORTE DO SONETO
Raimunda
Forma fixa, prisioneira de caprichos
Em ti a arte se reduz
Não mais que dez mais quatro
Para encerrar sombra e luz
Linhas decassílabas e pronto!
O sentimento em número se transforma
Tens que caber nessa seqüência
Pois obedeces a uma fixa forma
És clássica, estás no passado
Com o ourives que te torna
Uma jóia declarada
Em ânsia de fechar-se em quatro
Nos limites da forma estagnada
Morre o soneto...sufocado.
Junho/ 2005
Raimunda
Forma fixa, prisioneira de caprichos
Em ti a arte se reduz
Não mais que dez mais quatro
Para encerrar sombra e luz
Linhas decassílabas e pronto!
O sentimento em número se transforma
Tens que caber nessa seqüência
Pois obedeces a uma fixa forma
És clássica, estás no passado
Com o ourives que te torna
Uma jóia declarada
Em ânsia de fechar-se em quatro
Nos limites da forma estagnada
Morre o soneto...sufocado.
Junho/ 2005
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Antítese do vaso Grego
Raimunda
Lá em Maragogipinho,
Perto do mar,
Juntinho ao manguezal,
Um bando de gente
A laborar:
Panelas, jarros, burrinhos,
Castiçal, porta-moeda.
Muitos vasos de barro
Escuros, sujos, suados...
Tomam forma nos pés,
Sofrem o atrito das mãos
Calosas, humildes, humanas [...]
Tornam-se vasos do Recôncavo
Artesanais, caxixis: vasos.
Úteis ou não:
Vasos.
(Este poema é parte do livro Rio de Letras de autores Valencianos.)
Lá em Maragogipinho,
Perto do mar,
Juntinho ao manguezal,
Um bando de gente
A laborar:
Panelas, jarros, burrinhos,
Castiçal, porta-moeda.
Muitos vasos de barro
Escuros, sujos, suados...
Tomam forma nos pés,
Sofrem o atrito das mãos
Calosas, humildes, humanas [...]
Tornam-se vasos do Recôncavo
Artesanais, caxixis: vasos.
Úteis ou não:
Vasos.
(Este poema é parte do livro Rio de Letras de autores Valencianos.)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Livro
Amanhã, dia 09/04/2010, será lançado o livro Rio de Letras, escrito por vários autores valencianos. Será no Centro de Cultura, às 19:00h.
Faço parte dessa publicação na modalidade poesia. É minha estreia no mundo dos escritores. Espero publicar um individualmente.
Faço parte dessa publicação na modalidade poesia. É minha estreia no mundo dos escritores. Espero publicar um individualmente.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ardilosa Concha
Raimunda Almeida
Minha alma fechou-se em ardilosa concha,
Isolou-se em oceano, fraca e desnuda,
Afastou-se do comando firme, divinal,
Tornou-se cega, surda e muda.
Definhou em cabulosa reclusão,
Perdeu viveza e etéreo esplendor.
Nem vagar pode, pois estava presa
A uma tormentosa existência sem amor.
Mesmo enfraquecida, constatou a tempo
Quanta falta o sublime lhe fazia.
Então abriu devagarzinho a concha
E ouviu uma voz que lhe dizia:
“Alma é luz grandiosa, é estandarte
Medianeiro, ostensivo, revelador
Que nos tira da condição irracional
E nos torna semelhante ao criador.”
Valença, 14 de outubro de 2009.
Minha alma fechou-se em ardilosa concha,
Isolou-se em oceano, fraca e desnuda,
Afastou-se do comando firme, divinal,
Tornou-se cega, surda e muda.
Definhou em cabulosa reclusão,
Perdeu viveza e etéreo esplendor.
Nem vagar pode, pois estava presa
A uma tormentosa existência sem amor.
Mesmo enfraquecida, constatou a tempo
Quanta falta o sublime lhe fazia.
Então abriu devagarzinho a concha
E ouviu uma voz que lhe dizia:
“Alma é luz grandiosa, é estandarte
Medianeiro, ostensivo, revelador
Que nos tira da condição irracional
E nos torna semelhante ao criador.”
Valença, 14 de outubro de 2009.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Meu Bebê
“Meu Bebê”
Maria Raimunda Almeida Silva
Professora da FAZAG
Bonecas são idealizadas, produzidas e compradas com o intuito de servirem de brinquedo a milhares e milhares de crianças. Por isso quando se pensa nelas, é habitual vir à tona (aflorar) sentimentos aprazíveis, puros, inocentes, relacionados a crianças, mais especificamente, a meninas.
É notório que bonecas são seres inanimados. Contudo, quando são adquiridas e presenteadas (passam a pertencer a alguém). Elas conquistam identidade e vida. Vida de boneca, não obstante, vida. Recebem carinho e, no âmbito da fantasia, também retribuem. Todavia as bonecas, apesar de todo cuidado e atenção que lhes são dispensados, quase sempre são descartadas. As formas são diversas: pelo processo caridoso de doação; pelo esquecimento em um baú qualquer; ou simplesmente são jogadas no lixo. Quando elas passam por esse processo de descarte, algumas razões precedem o ato. Pode-se estar diante de novas aquisições mais bonitas, mais modernas, mais eficientes; a dona cresceu e não se interessa mais por esses seres; e, em situações menos corriqueiras, a mãe, mergulhada numa inconsolável perda da filha, desfaz-se desses seres que provocam lembranças diluídas em lágrimas.
Pois é. Onde é mesmo que bonecas devem permanecer? Se pudesse, suspenderia a seqüência desse texto para que você, leitor, formulasse suas respostas. Pretensiosamente, posso tentar adivinhá-las, mas vou sugerir uma: no lixo. Isso mesmo! No lixo.
Bonecas recolhidas ao caminhão do lixo têm o fado comum a tudo que não é mais útil a alguém, algo imprestável: um lixão. Nesse lugar, pessoas costumam garimpar coisas que possam ser úteis ou para o próprio uso, ou para uma eventual venda. Nunca tive notícia ou conhecimento de que alguém “catasse” algo no lixo para expô-lo no próprio veículo de coleta. Perguntas? À vontade, leitor.
Pois assim foi. Certamente imatura ideia de algum funcionário da limpeza pública que, muito provavelmente, não tem filhos, ou melhor, filhas (hipótese). Três bonecas, do tipo “Meu Bebê” foram escolhidas para a peça. Estavam sem roupas, sujas, porém inteiras. Poderiam ter sido completamente recicladas, mas não foram. Ao invés, as duas tiveram um destino mais, muito mais do que esquisito. Excêntrico, estrambótico são termos que se amoldam mais à ocasião. Elas passaram a assumir um papel que não é apropriado a um brinquedo, muito menos a uma boneca que, simbolicamente, representa figura feminina. Como tal não deveriam estar naquelas posições onde se encontravam.
É muito provável que os autores da bisarrice não tenham tido a intenção de afrontar ninguém com o despropósito da exposição, mas o fato é que lá estavam as três bonecas. A primeira encontrava-se enganchada (como se estivesse sentada) na frente do caminhão de coleta do lixo urbano. Era algo semelhante a um carro abre-alas, reduzido à frente do caminhão. Desprovida de vestido, braços abertos, como a pedir um abraço que se perdeu com o seu abandono, lá se encontrava a boneca sem nome. O vento, provocado pelo deslocamento do carro, fazia com que ela oscilasse para lá, e para cá; pra trás e pra frente; era uma “boneca-criança” em extremo perigo, obrigada a fazer um “tour” inusitado pela cidade de Valença.
À segunda e terceira personagens, também retiradas do entulho, foram destinados lugares um grau acima do não usual: macabro mesmo. Elas estavam presas a uma corda, ou cordão (não dava para distinguir perfeitamente) e pendiam na parte superior, à direita e à esquerda da carroceria da caçamba. Eram idênticas à outra. Diria mesmo que eram tri gêmeas. Assemelhavam-se em tamanho, modelo, grau de conservação e destino. A corda presa ao pescoço frágil dos brinquedos e os movimentos bruscos e desconexos impunham às bonecas uma aparência de alguém que sofrera o processo de enforcamento e foi posto à exposição pública. Exposição ambulante, constrangedora, deplorável.
Triste saber que episódios como esses possam ocorrer sem causar nenhum impacto. No entanto, elas fizeram parte de uma cena de um teatro insólito, macabro, promovido e patrocinado pelos caminhões da limpeza pública de uma cidade cuja platéia (só para dar o tom de confirmação) se olhou, não viu; se viu, não esboçou reação: nem vaias, nem insultos, nem aplausos.
Mas quem era mesmo a plateia?
Maria Raimunda Almeida Silva
Professora da FAZAG
Bonecas são idealizadas, produzidas e compradas com o intuito de servirem de brinquedo a milhares e milhares de crianças. Por isso quando se pensa nelas, é habitual vir à tona (aflorar) sentimentos aprazíveis, puros, inocentes, relacionados a crianças, mais especificamente, a meninas.
É notório que bonecas são seres inanimados. Contudo, quando são adquiridas e presenteadas (passam a pertencer a alguém). Elas conquistam identidade e vida. Vida de boneca, não obstante, vida. Recebem carinho e, no âmbito da fantasia, também retribuem. Todavia as bonecas, apesar de todo cuidado e atenção que lhes são dispensados, quase sempre são descartadas. As formas são diversas: pelo processo caridoso de doação; pelo esquecimento em um baú qualquer; ou simplesmente são jogadas no lixo. Quando elas passam por esse processo de descarte, algumas razões precedem o ato. Pode-se estar diante de novas aquisições mais bonitas, mais modernas, mais eficientes; a dona cresceu e não se interessa mais por esses seres; e, em situações menos corriqueiras, a mãe, mergulhada numa inconsolável perda da filha, desfaz-se desses seres que provocam lembranças diluídas em lágrimas.
Pois é. Onde é mesmo que bonecas devem permanecer? Se pudesse, suspenderia a seqüência desse texto para que você, leitor, formulasse suas respostas. Pretensiosamente, posso tentar adivinhá-las, mas vou sugerir uma: no lixo. Isso mesmo! No lixo.
Bonecas recolhidas ao caminhão do lixo têm o fado comum a tudo que não é mais útil a alguém, algo imprestável: um lixão. Nesse lugar, pessoas costumam garimpar coisas que possam ser úteis ou para o próprio uso, ou para uma eventual venda. Nunca tive notícia ou conhecimento de que alguém “catasse” algo no lixo para expô-lo no próprio veículo de coleta. Perguntas? À vontade, leitor.
Pois assim foi. Certamente imatura ideia de algum funcionário da limpeza pública que, muito provavelmente, não tem filhos, ou melhor, filhas (hipótese). Três bonecas, do tipo “Meu Bebê” foram escolhidas para a peça. Estavam sem roupas, sujas, porém inteiras. Poderiam ter sido completamente recicladas, mas não foram. Ao invés, as duas tiveram um destino mais, muito mais do que esquisito. Excêntrico, estrambótico são termos que se amoldam mais à ocasião. Elas passaram a assumir um papel que não é apropriado a um brinquedo, muito menos a uma boneca que, simbolicamente, representa figura feminina. Como tal não deveriam estar naquelas posições onde se encontravam.
É muito provável que os autores da bisarrice não tenham tido a intenção de afrontar ninguém com o despropósito da exposição, mas o fato é que lá estavam as três bonecas. A primeira encontrava-se enganchada (como se estivesse sentada) na frente do caminhão de coleta do lixo urbano. Era algo semelhante a um carro abre-alas, reduzido à frente do caminhão. Desprovida de vestido, braços abertos, como a pedir um abraço que se perdeu com o seu abandono, lá se encontrava a boneca sem nome. O vento, provocado pelo deslocamento do carro, fazia com que ela oscilasse para lá, e para cá; pra trás e pra frente; era uma “boneca-criança” em extremo perigo, obrigada a fazer um “tour” inusitado pela cidade de Valença.
À segunda e terceira personagens, também retiradas do entulho, foram destinados lugares um grau acima do não usual: macabro mesmo. Elas estavam presas a uma corda, ou cordão (não dava para distinguir perfeitamente) e pendiam na parte superior, à direita e à esquerda da carroceria da caçamba. Eram idênticas à outra. Diria mesmo que eram tri gêmeas. Assemelhavam-se em tamanho, modelo, grau de conservação e destino. A corda presa ao pescoço frágil dos brinquedos e os movimentos bruscos e desconexos impunham às bonecas uma aparência de alguém que sofrera o processo de enforcamento e foi posto à exposição pública. Exposição ambulante, constrangedora, deplorável.
Triste saber que episódios como esses possam ocorrer sem causar nenhum impacto. No entanto, elas fizeram parte de uma cena de um teatro insólito, macabro, promovido e patrocinado pelos caminhões da limpeza pública de uma cidade cuja platéia (só para dar o tom de confirmação) se olhou, não viu; se viu, não esboçou reação: nem vaias, nem insultos, nem aplausos.
Mas quem era mesmo a plateia?
sexta-feira, 31 de julho de 2009
DIA DE CACHORRO MORTO

DIA DE CACHORRO MORTO
Maria Raimunda Almeida Silva*
Hoje, pela manhã, quando me dirigia ao trabalho, deparei-me com duas situações extremamente similares: dois animais mortos, sendo velados por crianças.
O primeiro animal era um cachorro de médio porte, de cor preta com traços de um vira-lata comum. Estava jogado junto ao meio-fio, semicoberto por um pano branco que não dava para saber se era uma toalha ou resto de qualquer tecido. Ali, naquele momento, era uma mortalha. Estava teso, meio de lado: morto. Junto ao corpo, alguma coisa parecida com sangue o qual já estava sendo disputado por formigas e moscas. Indiferentes aos insetos, três crianças, na parte superior do meio-fio, olhavam, curiosas, para o defunto. O semblante delas demonstrava um pouco de seriedade. Olhavam. Só olhavam. Provavelmente não se demorariam ali, visto que estavam, certamente, a caminho da escola, já que estavam fardadas.
Um pouco mais à frente (talvez uns duzentos metros), quando dobrei uma curva, percebi algo branco, meio volumoso, estendido no meio da rua. Foi só o tempo de desviar o carro, um pouco para a esquerda, para não esmagar o animal, que já se encontrava morto. Nessa edição do féretro, as crianças (cinco) estavam no passeio da casa mais próxima, olhando para o animal sem nenhuma tristeza aparente. A impressão que dava era de que elas não estavam satisfeitas somente com a morte do animal: eles queriam muito mais: o esmagamento. Num relance, tive quase a sensação de que o animal havia sido colocado ali para o sacrifício, pois quando o carro despontou na curva, houve uma movimentação da turminha, quase expectativa. O desvio do alvo provocou frustração.
Dois momentos, quase simultâneos, igualados pela morte; diferenciados pelos vivos!
* Professora da EMARC de Valença
Maria Raimunda Almeida Silva*
Hoje, pela manhã, quando me dirigia ao trabalho, deparei-me com duas situações extremamente similares: dois animais mortos, sendo velados por crianças.
O primeiro animal era um cachorro de médio porte, de cor preta com traços de um vira-lata comum. Estava jogado junto ao meio-fio, semicoberto por um pano branco que não dava para saber se era uma toalha ou resto de qualquer tecido. Ali, naquele momento, era uma mortalha. Estava teso, meio de lado: morto. Junto ao corpo, alguma coisa parecida com sangue o qual já estava sendo disputado por formigas e moscas. Indiferentes aos insetos, três crianças, na parte superior do meio-fio, olhavam, curiosas, para o defunto. O semblante delas demonstrava um pouco de seriedade. Olhavam. Só olhavam. Provavelmente não se demorariam ali, visto que estavam, certamente, a caminho da escola, já que estavam fardadas.
Um pouco mais à frente (talvez uns duzentos metros), quando dobrei uma curva, percebi algo branco, meio volumoso, estendido no meio da rua. Foi só o tempo de desviar o carro, um pouco para a esquerda, para não esmagar o animal, que já se encontrava morto. Nessa edição do féretro, as crianças (cinco) estavam no passeio da casa mais próxima, olhando para o animal sem nenhuma tristeza aparente. A impressão que dava era de que elas não estavam satisfeitas somente com a morte do animal: eles queriam muito mais: o esmagamento. Num relance, tive quase a sensação de que o animal havia sido colocado ali para o sacrifício, pois quando o carro despontou na curva, houve uma movimentação da turminha, quase expectativa. O desvio do alvo provocou frustração.
Dois momentos, quase simultâneos, igualados pela morte; diferenciados pelos vivos!
* Professora da EMARC de Valença
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Família Cardoso e conterrâneos
Estão nessa foto:
Próspero Cardoso dos Santos; Antônio Cardoso: Narciso Cardoso; Aurelina (Ziu); Maria Cardoso (Lica); Barbosa; Dora; Léa Vasconcelos; Levi Vasconcelos; Raimunda; Nina e os filhos de Ziu e Lica(Ivaneuza; Luis; Edmundo; Uilson.
Próspero Cardoso dos Santos; Antônio Cardoso: Narciso Cardoso; Aurelina (Ziu); Maria Cardoso (Lica); Barbosa; Dora; Léa Vasconcelos; Levi Vasconcelos; Raimunda; Nina e os filhos de Ziu e Lica(Ivaneuza; Luis; Edmundo; Uilson.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Sombras de Natal

Era Natal! Ding, dong, ding, dong!!!
Muita risada... Alegria por nada?!
Fui investigar...Pereba também.
Pé atrás, ouvido na frente.
Até agora, ninguém!
Não sei por que Pereba latiu.
Parei. Parei parado!
Um vulto gordo passou,
Por trás de uma casa sumiu.
Pensei em tudo e em nada.
Menino na minha idade
Cheio de curiosidade
E sem nenhuma precaução
Resolve fazer e faz.
Pereba o fez primeiro.
Entrando logo em ação.E como se me chamasse
Para uma grande aventura
Parou, olhou para mim
Convite feito e aceito,
Duas vezes não pensei.
“Pernas pra que te quero?”
Lógico, não responderam.
* * * * * * * * * * * * * * * * *
Tinham donos, agora, as risadas.
Estavam lá estampadas
Em rostos de todas as idades.
Crianças grandes e pequenas
Cheias de felicidade!
Sorriam, sorriam muito.
Corriam envoltas em luzes,
Em doces notas musicais.
Todos muito protegidos
Por seus generosos pais
De repente, ... Ho! Ho! Ho!
Era a senha triunfal
Para a entrada do velhinho
Por uma porta lateral,
Trazendo consigo a magia
Dos presentes de Natal.
Era um ser vermelho e branco,
Gordo como na sombra,
Carregando um saco disforme
E ia se aproximando.
Tinha uma barba enorme
Toda feita de nuvem,
Misturada com algodão,
Presa a um rosto redondo
Transbordando de emoção.
.
As crianças o cercaram,
Na maior animação.
Olhavam mais para o saco
Que para o vermelho ancião
Presentes distribuídos...
Mudou toda a atenção
Daqueles seres reunidos
Naquele amplo salão.
Ficaram tão ocupados
Com os presentes recebidos
Que nem sequer perceberam
Que algo na sala mudou:
O bom velhinho cansado
Sem mais assédio e atenção
Tratou logo de sair
Pelo lugar que entrou.
Senti meus olhos nublarem
Senti até uma tontura
Senti uma dor no peito...
Senti que daquela alegria,
Não tinha nenhum direito.
“Desponguei” daquela janela
Com o corpo bem pesado,
Com o coração magoado
Com a alma d o l o r i d a!!
Como se estivesse ferida.
Pisei no rabo de Pereba
Que logo acordou da dormência,
Deu um grito fino, um latido.
Eu, meio sem paciência,
Ralhei com ele, coitado!
Levantamos os dois, como irmãos,
Pois amigos, mais ninguém.
Talvez, lá em Belém,
Lá longe, no outro mundo,
Alguém se interesse por mim,
Alguém que também foi assim,
Criança, menino, guri...
Ding, dong! Ding, dong! Ding...
Raimunda
Guaibim, 06.01.09.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
QUERER ALMA PARA SER HUMANO

Querer “alma” para viver como humano (se não se é) é uma empreitada que não está no âmbito das ações terrenas. A alma é essência. É sopro de vida no mais puro sentido que ela pode ter.
É possível, é provável e até justificável se ter um corpo sem alma. Difícil, talvez, seja visualizar-se uma imagem assim tão surreal. Certamente encontram-se por aí muitos corpos andantes, vazios, só corpos. Talvez almas de outros entes, até acompanhem esses zumbis de longe, a uma distância tempo-espacial suficiente para vê-los, sem interferências e sem querer ser parceiras desses seres mutilados.
Alma é energia, é luz, é raio, é equilíbrio, é junção, é união do visível com o invisível. É completude. Corpo só, é um corpo; corpo com alma é uma vida.
07.10.1999
terça-feira, 31 de março de 2009
Nostalgia

Nostalgia
Não é muito comum se sentir saudades do que nunca se possuiu. Mas é provável que de vez em quando algo estranho mexa com suas emoções, seus sentimentos.
Você acorda meio esquisito com a sensação de que alguma coisa vai lhe acontecer. Volta e meia o relógio é consultado. Nada. Você fica meio perplexo. O que teria acontecido? Você sente que alguma coisa está lhe faltando. Senta-se em algum lugar (...), olhos distantes, coração apertado... Se não disfarçar é capaz de uma lágrima teimosa lhe pegar de surpresa. Mas até que seria bom chorar um pouco. Quem sabe o peso nos olhos poderia diminuir?
Num relance você lembra de alguém, de uma paisagem, uma situação. Mas onde viu tudo isso? Onde?
As perguntas não diminuem o desejo de resolver a insatisfação.
Que bom se pudesse sair já desse estado “down”... Poder andar nas paisagens dos seus sonhos, morar ou passear (também com o personagem) em cabanas, praias, vales e toda uma construção onírica!
Saudade de sonhos? Por que não?
Sacuda a cabeça, balance o corpo como se estivesse se desvencilhando de um pesadelo...
Não, não é pesadelo. É nostalgia. É a suavidade de uma ausência frustrada pela inconstância do querer ser.
É saudade. Só saudade...
Raimunda
29.06.1995
Não é muito comum se sentir saudades do que nunca se possuiu. Mas é provável que de vez em quando algo estranho mexa com suas emoções, seus sentimentos.
Você acorda meio esquisito com a sensação de que alguma coisa vai lhe acontecer. Volta e meia o relógio é consultado. Nada. Você fica meio perplexo. O que teria acontecido? Você sente que alguma coisa está lhe faltando. Senta-se em algum lugar (...), olhos distantes, coração apertado... Se não disfarçar é capaz de uma lágrima teimosa lhe pegar de surpresa. Mas até que seria bom chorar um pouco. Quem sabe o peso nos olhos poderia diminuir?
Num relance você lembra de alguém, de uma paisagem, uma situação. Mas onde viu tudo isso? Onde?
As perguntas não diminuem o desejo de resolver a insatisfação.
Que bom se pudesse sair já desse estado “down”... Poder andar nas paisagens dos seus sonhos, morar ou passear (também com o personagem) em cabanas, praias, vales e toda uma construção onírica!
Saudade de sonhos? Por que não?
Sacuda a cabeça, balance o corpo como se estivesse se desvencilhando de um pesadelo...
Não, não é pesadelo. É nostalgia. É a suavidade de uma ausência frustrada pela inconstância do querer ser.
É saudade. Só saudade...
Raimunda
29.06.1995
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