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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Família Cardoso e conterrâneos

Estão nessa foto:
Próspero Cardoso dos Santos; Antônio Cardoso: Narciso Cardoso; Aurelina (Ziu); Maria Cardoso (Lica); Barbosa; Dora; Léa Vasconcelos; Levi Vasconcelos; Raimunda; Nina e os filhos de Ziu e Lica(Ivaneuza; Luis; Edmundo; Uilson.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sombras de Natal





 
Era Natal! Ding, dong, ding, dong!!!
Muita risada... Alegria por nada?!
Fui investigar...Pereba também.
Pé atrás, ouvido na frente.
Até agora, ninguém!
Não sei por que Pereba latiu.
Parei. Parei parado!
Um vulto gordo passou,
Por trás de uma casa sumiu.
Pensei em tudo e em nada.
Menino na minha idade
Cheio de curiosidade
E sem nenhuma precaução
Resolve fazer e faz.
Pereba o fez  primeiro.
Entrando logo em ação.
E como se me chamasse
Para uma grande aventura
Parou, olhou para mim
Convite feito e aceito,
Duas vezes não pensei.
“Pernas pra que te quero?”
Lógico, não responderam.

* * * * * * * * * * * * * * * * *
Tinham donos, agora, as risadas.
Estavam lá estampadas
Em rostos de todas as idades.
Crianças grandes e pequenas
Cheias de felicidade!
Sorriam, sorriam muito.
Corriam envoltas em luzes,
Em doces notas musicais.
Todos muito protegidos
Por seus generosos pais

De repente, ... Ho! Ho! Ho!
Era a senha triunfal
Para a entrada do velhinho
Por uma porta lateral,
Trazendo consigo a magia
Dos presentes de Natal.

Era um ser vermelho e branco,
Gordo como na sombra,
Carregando um saco disforme
E ia se aproximando.
Tinha uma barba enorme

Toda feita de nuvem,
Misturada com algodão,
Presa a um rosto redondo
Transbordando de emoção.
.
As crianças o cercaram,
Na maior animação.
Olhavam mais para o saco
Que para o vermelho ancião

Presentes distribuídos...
Mudou toda a atenção
Daqueles seres reunidos
Naquele amplo salão.
Ficaram tão ocupados
Com os presentes recebidos
Que nem sequer perceberam
Que algo na sala mudou:
O bom velhinho cansado
Sem mais assédio e atenção
Tratou logo de sair
Pelo lugar que entrou.

Senti meus olhos nublarem
Senti até uma tontura
Senti uma dor no peito...
Senti que daquela alegria,
Não tinha nenhum direito.

“Desponguei” daquela janela
Com o corpo bem pesado,
Com o coração magoado
Com a alma d o l o r i d a!!
Como se estivesse ferida.

Pisei no rabo de Pereba
Que logo acordou da dormência,
Deu um grito fino, um latido.
Eu, meio sem paciência,
Ralhei com ele, coitado!

Levantamos os dois, como irmãos,
Pois amigos, mais ninguém.
Talvez, lá em Belém,
Lá longe, no outro mundo,
Alguém se interesse por mim,
Alguém que também foi assim,
Criança, menino, guri...
Ding, dong! Ding, dong! Ding...

Raimunda
Guaibim, 06.01.09.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

QUERER ALMA PARA SER HUMANO



Querer “alma” para viver como humano (se não se é) é uma empreitada que não está no âmbito das ações terrenas. A alma é essência. É sopro de vida no mais puro sentido que ela pode ter.
É possível, é provável e até justificável se ter um corpo sem alma. Difícil, talvez, seja visualizar-se uma imagem assim tão surreal. Certamente encontram-se por aí muitos corpos andantes, vazios, só corpos. Talvez almas de outros entes, até acompanhem esses zumbis de longe, a uma distância tempo-espacial suficiente para vê-los, sem interferências e sem querer ser parceiras desses seres mutilados.
Alma é energia, é luz, é raio, é equilíbrio, é junção, é união do visível com o invisível. É completude. Corpo só, é um corpo; corpo com alma é uma vida.

07.10.1999

terça-feira, 31 de março de 2009

Nostalgia


Nostalgia

Não é muito comum se sentir saudades do que nunca se possuiu. Mas é provável que de vez em quando algo estranho mexa com suas emoções, seus sentimentos.
Você acorda meio esquisito com a sensação de que alguma coisa vai lhe acontecer. Volta e meia o relógio é consultado. Nada. Você fica meio perplexo. O que teria acontecido? Você sente que alguma coisa está lhe faltando. Senta-se em algum lugar (...), olhos distantes, coração apertado... Se não disfarçar é capaz de uma lágrima teimosa lhe pegar de surpresa. Mas até que seria bom chorar um pouco. Quem sabe o peso nos olhos poderia diminuir?
Num relance você lembra de alguém, de uma paisagem, uma situação. Mas onde viu tudo isso? Onde?
As perguntas não diminuem o desejo de resolver a insatisfação.
Que bom se pudesse sair já desse estado “down”... Poder andar nas paisagens dos seus sonhos, morar ou passear (também com o personagem) em cabanas, praias, vales e toda uma construção onírica!
Saudade de sonhos? Por que não?
Sacuda a cabeça, balance o corpo como se estivesse se desvencilhando de um pesadelo...
Não, não é pesadelo. É nostalgia. É a suavidade de uma ausência frustrada pela inconstância do querer ser.
É saudade. Só saudade...

Raimunda
29.06.1995

segunda-feira, 30 de março de 2009

Harmonia


Buganvília meio idosa, galhos finos... alguns quase que totalmente sem folhas e flores; outros recobertos completamente! Flores, flores, folhas...
Num desses desnudos galhos, pousa um passarinho. O galho balança, balança, balança: é uma corda bamba de circo. O equilibrista mostra a maior classe: não se afeta, não se perturba. O seu equilíbrio não é só com o galho, é também com a natureza... Parece mais parte da planta do que um ser independente. Abre uma das asas, cutuca com o bico não sei o quê, belisca o pé, sacode-se, acomoda-se, imobiliza-se.
No momento em que controla sua submissa corda, voa novamente a um outro galho com tanta destreza que um artista laureado sentiria inveja.
A planta não parece incomodar-se, ao contrário, mostra-se dengosa, faceira. Facilita os movimentos coordenados dos seus galhos com seu parceiro de brincadeiras.
A harmonia vence... E tudo recomeça.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Vinte Minutos

Esperar a vida inteira é preciso;
Esperar vinte minutos, é desperdício;
Esperar filhos crescerem, é divinal.
Esperar um novo amor, nada mau.

Esperamos o dia raiar,
Esperamos a noite chegar,
Esperamos pelo Natal
Estando só ou com alguém.

Em tudo e por tudo,
Há a condição de esperar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Fim de Linha

A linha da vida não é comum.
Ela é invisível, implacável.
O seu riscado só é perceptível
Quando seu usuário,
Num ato incrível,
Faz uso de tinta especial!
Então a linha pode tornar-se reta, curva, aberta,
Inclinada, numa corda bamba,
Desafiando o traçado original.
Uso de borracha? (...) Impossível!
Essa linha não admite remendos, consertos;
Concertos, quando em suas margens
Outras tantas são traçadas
Harmonicamente à geometria divinal!!
Réguas que obedecem a um inequívoco ditame,
Compasso perfeito em sua função de liame
Determinarão seus complementos:
Hidrocor, lápis de cor, esferográfica?
Superfície imprevisível e idômita,
Qual serpente sinuosa,
Traiçoeira e mortal
Sai do ponto de partida,
Chegando ao ponto final.
M. Raimunda
23/10/2007.
(Manhã chuvosa)